Com as irmãs e duas amigas, Rebeca Rosenblit Konig, de 12 anos, cantou no cinema as músicas que seus maiores ídolos, os Jonas Brothers, apresentaram no filme que estrelaram. "A gente tentava tocar neles e até esquecia que era filme", diz Rebeca. No trailer de Jonas Brothers 3D – O Show, exibido em junho deste ano, Joe, o irmão do meio, diz: "Este filme realmente faz você se sentir como se estivesse no palco conosco". Para Rebeca, ele tem razão. "Teve uma hora em que eu me senti na plateia VIP do show, de tão perto." Tanto realismo é possível porque o filme foi feito para dar a ilusão de três dimensões. Só neste ano, 30 filmes nesse formato estão previstos para ser lançados no mundo, cerca de três vezes mais do que no ano passado. Os filmes em 3D são a maior aposta da indústria para atrair o público de volta para as salas de cinema. Nos últimos anos, o setor vem enfrentando uma competição cada vez mais ferrenha pelo dinheiro - e pelo tempo - dos consumidores, especialmente os mais jovens. Videogames, DVDs, TVs em alta definição e telefones celulares têm ocupado cada vez mais a atenção do público. De quatro anos para cá, as vendas de jogos eletrônicos ultrapassaram as de ingressos de cinema. Com os filmes em 3D, os estúdios acreditam ter nas mãos uma forma de entretenimento nova e insubstituível - pelo menos enquanto as TVs não puderem reproduzir a ilusão nos home theaters domésticos.
Imagens em 3D não são exatamente uma novidade. Desde meados dos anos 50 os estúdios já experimentam a fórmula. Mas o sistema antigo nunca decolou por questões técnicas: em vez de causar encantamento nas plateias, os filmes deixavam muita gente com náusea ou tontura. A nova tecnologia digital contornou esses problemas. Ainda é necessário usar óculos especiais dentro das salas, mas eles não têm mais lentes de cores diferentes. O material usado é um polímero. Outra diferença é o uso do efeito tridimensional: nos filmes em cartaz, o recurso é usado com moderação. Nas cenas de maior impacto, a ação realmente parece acontecer a alguns centímetros do nariz do espectador - mas no restante do tempo tem-se a impressão de estar assistindo a um filme comum.
As primeiras indicações são de que os filmes em 3D têm agradado e muito o público. No Brasil, a taxa de ocupação das salas que exibem obras em 3D é superior a 70%, ante cerca de 40% da média. O número de espaços preparados para os filmes tridimensionais também tem aumentado de forma vertiginosa. No ano passado, eram menos de 20 salas preparadas para o 3D. Hoje, o número passa de 60, de um total de 2 050. A principal diferença está no sistema de projeção. O projetor tradicional, que funciona com os filmes de 35 milímetros, custa em média 200 000 reais. Para exibir filmes 3D, é necessário pagar o dobro disso. O valor inclui um projetor digital e um equipamento extra. "Com o compromisso dos estúdios de produzir mais conteúdo nesse formato, temos segurança para investir na infraestrutura necessária", diz Marcelo Bertini, presidente da rede Cinemark. Como o ingresso das sessões 3D custa normalmente 75% mais caro que a média dos ingressos cobrados no país, o investimento tem se mostrado vantajoso.
Em Hollywood, a ordem é investir com força total no mundo tridimensional. Dos seis grandes estúdios hollywoodianos, somente a Warner não tem títulos programados no padrão. A Dreamworks Animation, responsável pelas séries Shrek e Madagascar e ligada à Paramount, definiu que a partir deste ano todos os seus lançamentos terão cópias em três dimensões. Grandes diretores de cinema, como Steven Spielberg, Tim Burton e George Lucas, estão trabalhando em obras no novo formato. James Cameron, de Titanic, deve lançar em janeiro próximo Avatar, produção cujo orçamento já passou de 200 milhões de dólares. "É uma tentativa de trazer um público novo para uma experiência diferente", diz César Silva, diretor-geral da Paramount Pictures no Brasil. Até agora, os resultados são promissores. Monstros vs Alienígenas, o marco zero dessa nova diretriz da empresa, teve quase 50% de sua receita proveniente de apenas 15% das cópias exibidas em 3D. Assim como ele, a maioria dos lançamentos no padrão tridimensional são atrações para o público infantil. A animação Up – Altas Aventuras, da Disney Pixar Studios, foi a primeira da história a ser escolhida para abrir o festival de Cannes, que acontece há 62 anos. A empolgação com a tecnologia é tamanha que o presidente mundial da Disney, Jeffrey Katzenberg, chegou a descrever os filmes 3D como a terceira grande revolução da história do cinema, depois da chegada do som, em 1920, e das imagens coloridas, em 1930.
A verdade é que o fascínio dos estúdios pela novidade está mais ligado às caixas registradoras. Entre 2005 e 2008, a receita com bilheteria no mundo cresceu 21,6% e chegou a 28 bilhões de dólares. É bem menos do que o salto de 671% da indústria de games no mesmo período, que chegou a 54 bilhões de dólares. Além de aumentar o preço das entradas, o objetivo dos estúdios é oferecer uma experiência nova, que não possa ser reproduzida com uma cópia pirata baixada da internet. Mas a experiência de ver imagens em três dimensões não será um privilégio dos cinemas por muito tempo. Diversos fabricantes de equipamentos eletrônicos - entre eles LG, Panasonic, Philips e Sony - já apresentaram seus protótipos de aparelhos de televisão prontos para a exibição de imagens tridimensionais. Já é possível transmitir até mesmo imagens ao vivo em três dimensões, de jogos ou shows. A expectativa é que até o final de 2010 os primeiros lançamentos estejam nas lojas dos Estados Unidos. As próprias emissoras de televisão já estão estão testando os aparelhos e planejando os programas do futuro. É mais uma prova de que não tem volta: o futuro é 3D.
Considerações: o que podemos observar de um ponto de vista consumista é que, este mercado que se mostra em plena ascensão afeta de forma representativa a indústria cinematográfica, que outrora tenha sido "deixada para trás" pelos avanços tecnológicos, da própria rede mundial de computadores (a nossa principal viabilizadora)p. ex., dos jogos MMORPG - Massively ou Massive Multiplayer Online Role-Playing Game ou Multi massive online Role-Playing Game, que são os games de RPG online, ou FPS, tiros em primeira pessoa, a do segmento dos dispositivos móveis (celulares), que cada vez com mais recursos, tecnologia 3G, vídeo conferência, conexão em alta velocidade, equipamentos eletrônicos em geral com um elevado número de recursos, acaba por desviar a atenção, não somente dos jovens como mencionado acima, mas também daqueles que se interessam pelo universo Digital.
Além da notória evolução que se tem apresentado nas técnicas da tecnologia tridimensional, acredita-se ser uma verba bem empregada pela grandes redes de cinema, como Cinemark e UCI, dentre outras possuidoras desta, a discrepância entre um filme reproduzido por uma sala comum e uma outra estruturada para suportar esta nova tendência, é imensa, trazer o público em geral é uma iniciativa que efetivamente impulsionará e instigará aqueles que por um motivo ou outro deixaram de comparecer as telonas, trocando-as pelos seus games, celulares, TVs de HD, full HD e derivativos.
Particularmente, aprecio muito esta categoria, e como muitos outros cinéfilos, desfrutarei deste avanço do século XXI, filmes 3D, ai vamos nós...
PS. não deixemos os clássicos de lado...